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domingo, 28 de janeiro de 2018

    


CANÇÃO DO MAR - Texto da profa. Eliane Oliveira - 28/01/18

Uma cena bonita da maternidade: Leon acorda, já estou no sofá. Chamo ele pra deitar no meu colo, ele coloca a cabeça com o ouvido perto do meu coração e se acomoda. Levanta, vira pra mim e diz: "mamãe, sabia que quando a gente coloca a cabeça aqui, a gente ouve o som do mar?” (mensagem que recebi da amiga Rita Lemgruber por whatsapp, em 23/01/18)

Leon é muito sabido. Reparou o som do mar no coração de Rita. E, não foi a primeira vez. Tanto é que, desta vez, por saber, quis ensinar. Leon lê OM. Aquele som do mar que soa dentro do som do mar. Que permanece ecoando incessante no centro do centro de suas ondulações. Nota só. A mesma. A que sempre foi, sem nunca ter nascido nem morrido. O Verbo. O colo. O eterno tom sustenido que vibra sem precisar que algo de fora dele, em contato com ele, provoque o seu som. Anahata (palavra sânscrita e representa o quarto chakra, localizado na altura do coração). Quando a gente coloca a consciência ali, como Leon a cabeça ao peito de sua mãe, estamos em Casa. Na casa, tem peito cheio de leite e amor onde posso me abandonar de olhos fechados, sem medo de viver, porque sei que tudo está tudo bem. Mesmo que o mundo pareça que vai desabar e que eu tema que desabe, posso lembrar, pela canção do mar no meu coração, do mar eterno e infinito do coração da vida. Esta que passa mas não acaba.

Noutro dia, o mar estava calmo e eu me deitei sobre suas águas serenas como fazia quando criança. Olhos no céu. Sim, pude olhar para o céu. Estava azul. Esqueci-me do corpo. Não tinha mais corpo. Por uns segundos, diluí-me em mar e em céu. Tudo azul. Eu estava no mar olhando pro céu, ou o céu era o mar e eu olhava do mar de água aqui em cima pro mar do céu lá embaixo? De repente, senti que era a mesma coisa. Baixo e cima, céu e mar, ar e água, presença do corpo e ausência do corpo. Não tive medo de vir uma onda e quebrar sobre mim. Porque, no mar, não havia ondas, nem mim havia mim. Colo de mãe.

Mãe, mãezinha,
no seu colo jamais duvido de que tudo é UM.
Afaga-me a cabeça, mãe, enquanto ouço a canção do mar que vem do seu coração.
Ensina-me a aprender o que já sei”.
...
Leon deve ter uns quatro anos agora. Mas nos conhecemos antes de ele nascer. Praticou yoga na barriga de Rita, que foi minha aluna no Uddiyana. Rita, amiga de Julieta, que também trouxe Theo em sua barriga pra fazer Yoga, e, hoje é Professora de Yoga, dedicada às mulheres e às gestantes. Estamos todos em casa. Na casa do coração. OM. 
 
À Rita e ao Leon.
À Julieta.
À minha mãe, meu colo, Maria José
Com amor, Eliane
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